Esta é a edição de 3 de novembro de 2026 do Boletim Mkteúdo, com o que saiu entre 27 de outubro e 2 de novembro. Quatro notícias que, lidas juntas, contam a mesma história: nunca se gastou tanto em marketing, e quase ninguém consegue provar o retorno.
Cada item traz a fonte primária, o tamanho da amostra e a ressalva que o dado merece. Quando o número não resistiu à checagem, a notícia saiu — e no fim desta página está qual saiu e por quê.
Prateleira com holofote
73% dos profissionais já tratam retail media como canal de marca. Na edição anterior da mesma pesquisa, eram 23%.
O salto de 50 pontos em uma única edição é grande demais para ser realocação de verba já feita — mede expectativa declarada, não orçamento movido. Ainda assim o movimento importa: tratar retail media como canal de marca, e não só como mídia de conversão no fim do funil, muda a régua de avaliação. Alcance e lembrança passam a contar, e esses não aparecem no relatório de venda no carrinho.
Fonte: Hibou e MMA Brasil — Retail Media Club, 2ª edição, 1.020 respostas, campo em maio de 2026, divulgada em 27 de outubro.
O banco levou a IA pra dentro
O Itaú Unibanco acertou R$ 2,925 bilhões por 100% da NeoSpace, empresa de atendimento e vendas com inteligência artificial.
Dois detalhes que mudam a leitura: o pagamento é parcelado entre o fechamento e os cinco anos seguintes, não à vista; e a operação ainda depende de aprovação do Cade e do Banco Central. Não é um cheque assinado, é um compromisso escalonado e condicionado.
A leitura para quem não é banco: quem tem escala compra capacidade de IA. Quem não tem, contrata. A decisão relevante para a média empresa não é construir, é escolher bem o parceiro e saber medir o que ele entrega.
Fonte: Itaú Unibanco — anúncio da aquisição, 26 de outubro de 2026.
Quem vende IA foi comprar mídia
A verba de publicidade da Anthropic saiu de US$ 33 milhões em 2024 para US$ 147 milhões em 2025, segundo o Formulário S-1 que a empresa protocolou na SEC.
Vale separar as rubricas, porque elas circularam misturadas: esse é o gasto de publicidade no ano. A linha de marketing e publicidade do semestre é outra conta, e o número que apareceu nela é um aumento, não um total. Datar o fato também importa — o documento foi protocolado em 26 de outubro, embora a cobertura tenha saído no dia 27.
O contraste que faz a notícia: a empresa declara manter o próprio produto sem anúncios enquanto multiplica por 4,5 o que gasta anunciando em outros lugares.
Fonte: Anthropic — Formulário S-1 protocolado na SEC, 26 de outubro de 2026.
Verba sobe, prova não
64% das empresas aumentaram a verba de marketing no último ano. Só 23% dizem saber de onde vem o novo negócio.
Duas ressalvas antes de usar esse número em apresentação. A amostra é pequena — 100 profissionais, campo de 6 de agosto a 30 de setembro —, então vale como indício, não como medida de mercado. E a autora do estudo é uma agência que vende relações públicas e visibilidade em IA, justamente o tipo de serviço que a conclusão da pesquisa valoriza. Conflito de interesse declarado não invalida o dado, mas muda o peso que ele merece.
Com essas duas ressalvas, a direção continua reconhecível para quem trabalha com marketing B2B: a decisão de gastar é rápida e a de medir fica para depois. Verba sem atribuição não é investimento. É aposta com nota fiscal.
Fonte: Gregory — pesquisa com 100 profissionais de marketing, divulgada em 30 de outubro de 2026.
O padrão por trás das quatro
Retail media ganha status de canal de marca antes de ter régua de marca. Um banco compra capacidade de IA em bilhões. Uma empresa de IA quadruplica o que gasta em mídia. E dois terços das empresas aumentam verba sem saber de onde vem o cliente.
O denominador comum não é falta de dinheiro nem falta de ferramenta. É que a infraestrutura de medição não acompanhou a velocidade da decisão de gastar. Quando a verba sobe e a medição não sobe junto, o que cresce não é resultado — é exposição.
Você sabe qual canal trouxe o último cliente?
A Mkteúdo estrutura a medição junto com a geração de demanda: atribuição no CRM, etapas com critério e um número no fim do funil.
A notícia que saiu desta edição
Uma quinta pauta estava escrita e foi reprovada na checagem: a oferta de ações da Meta.
Dois motivos. O valor anunciado em 26 de outubro foi ampliado no dia seguinte, ainda dentro da janela da edição — publicar o número original seria errar o dado central. E a leitura de que grandes fabricantes de chips "confirmaram compra" não resiste ao prospecto: o documento fala em interesse manifestado, não em acordo vinculante.
Registramos aqui porque o critério é parte do produto. Na dúvida sobre um número, a notícia não vai.
Como este boletim é feito
O Boletim Mkteúdo sai toda segunda-feira. A rotina tem duas etapas separadas de propósito: uma varre as fontes da semana e escreve; outra, independente, reabre cada fonte primária e confere número, autoria do estudo, tamanho de amostra, data de campo, estágio do negócio e ressalvas. Notícia reprovada sai. Se sobrarem menos de três aprovadas, a edição não é publicada.
Transparência: este boletim é produzido com inteligência artificial da Anthropic, que é citada na terceira notícia desta edição. Pelo mesmo critério que aplicamos a dado auto-reportado, a informação fica declarada. As imagens das artes publicadas nas redes sociais também são geradas por IA, e não retratam pessoas reais.
Perguntas Frequentes
Quer aplicar isso no seu negócio?
A Mkteúdo é a agência de marketing digital referência em Ribeirão Preto — 2× premiada pela RD Station.
Falar com um especialista →